Macaxeira, Aipim ou Mandioca: Qual é o Certo?

A variação linguística da mandioca é um clássico exemplo de variação diatópica (geográfica). O mesmo alimento é chamado de macaxeira no Norte e Nordeste, aipim no Rio de Janeiro e Espírito Santo, e mandioca em São Paulo e Minas Gerais. Todos os termos estão corretos e refletem a diversidade cultural do Brasil. A palavra “mandioca” tem origem na língua tupi (mani’oka ou mandi’oka). O termo refere-se à lenda indígena de Mani, uma indiazinha que foi enterrada e deu origem a uma planta de raiz branca, cuja casca lembra a pele escura e o interior a brancura da menina.

“Mineiros e paulistas falam principalmente mandioca, enquanto cariocas e capixabas usam a palavra aipim. Na hora de denominar as variações desse alimento, os entrevistados não disseram macaxeira”, informou o pesquisador, que está aplicando o mesmo questionário para a população das demais regiões do País.

O pesquisador interpreta esses resultados a partir de fenômenos sociolinguísticos, como  os movimentos migratórios ocorridos no Brasil. “Essa raiz tuberosa marca a brasilidade do País à medida que resgata informações da nossa identidade, inclusive do período anterior à chegada dos portugueses na América do Sul. Tanto é que está presente em mitos e lendas indígenas. Na região Norte, ela representa um dos produtos mais importantes da agricultura local”, explica. 

A falta de conhecimento a respeito do tema também causa curiosidade e erros, segundo o pesquisador. “É comum se acreditar que aipim é usado apenas no Rio de Janeiro, o que não é verdade”, afirma.  

https://ciencia.ufla.br/reportagens/sociedade/627-mandioca-ou-aipim-diversidade-da-fala-e-tema-de-pesquisa-da-ufla

Do Estojo ao Penal: As Variações do Nosso Vocabulário Escolar

A palavra utilizada para designar o objeto que guarda lápis e canetas varia conforme a região do Brasil, sendo um exemplo clássico de variação linguística geográfica (ou diatópica). Enquanto a maior parte do país utiliza o termo estojo, estados da Região Sul e partes do Paraná adotam predominantemente a palavra penal. Nenhuma das duas formas está errada. Ambas cumprem perfeitamente o papel de comunicação dentro de suas comunidades de falantes. Julgar o termo “penal” ou “estojo” como inferior configura preconceito linguístico. O ambiente escolar deve valorizar essas identidades regionais, ensinando a norma-padrão sem desmerecer a riqueza cultural das variantes locais.

A variação diatópica pode não ser de som, mas sim de vocabulário, ou seja, de
palavras diferentes em sua estrutura. Por exemplo, em Curitiba, PR, os jovens
chamam de “penal” o estojo escolar para guardar canetas e lápis; no Nordeste, é
comum usarem a palavra “cheiro” para representar um carinho feito em alguém;
que em outras regiões se chamaria de “beijinho”. Macaxeira, no Norte e no
Nordeste, é a mandioca ou o aipim.

https://www.bonde.com.br/colunistas/educar-se/variacao-linguistica-parte-i-112302.html

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